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A terrível ida ao supermercado

A família Setlife está trancada em casa há mais de duas semanas. Isso quer dizer que o papá, a mamã e dois filhotes estão em contacto direto cerca de 16 horas por dia (benditas 8 horas de sono, quando isso acontece 😊).

Antes de começarmos a quarentena fomos ao supermercado abastecer a dispensa para cerca de duas semanas de isolamento. E assim vivemos diariamente, com tranquilidade… bem, às vezes. É que não é fácil conjugar todos os feitios debaixo do mesmo teto, a todo o momento, sem ter forma de escape. É necessária uma grande dose de tolerância, pensamento positivo e deixarmo-nos levar pela imaginação. Agora mais que nunca estamos a testar a nossa sanidade mental.

O papá está em teletrabalho e como tal passa uma grande parte do dia agarrado ao portátil. A mamã cuida da casa, prepara o almoço e supervisiona o trabalho desempenhado pelo Fera. O mais velho entretém-se com os trabalhos da escola e com a PS4. Às vezes acompanha o Fera nas suas brincadeiras. Mas existem sempre as misturas inevitáveis de quem tem uma criança de 2 anos e tal a percorrer a casa toda, como um tigre com ansiedade. É só ouvir pai, mamã e dedi (é como ele chama o mano) a toda a hora. Assim que o papá sai da frente do portátil, o malandro senta-se na cadeira e começa a teclar sem parar.

Tirando essas situações, as coisas até vão rolando. Pelo menos iam até que foram começando a faltar provisões. A cada dia que passava mais coisas iam desaparecendo. E não era qualquer coisa. Eram produtos que faziam mesmo falta. Chegamos a um ponto que não poderíamos adiar o inadiável: teríamos que ir ao supermercado.

Na cabeça do papá (hipocondríaco profissional) já estavam a ser formulados vários cenários, que geralmente incluíam sempre alguém a tossir para cima. “Nem pensar em sair de casa”, ia repetindo vezes sem conta.

Foi então que nos lembramos de comprar online. Afinal poderíamos ter aqui uma grande solução para evitar possíveis contágios. Pelos vistos não fomos os únicos a pensar nisso e a lista de espera para entrega dos produtos ia durar um mês e tal. Não podíamos esperar tanto tempo.

Em desespero, o papá tentou comprar máscaras pela internet. Mais uma vez toda a gente pensou também no mesmo e as máscaras estavam todas esgotadas. Conformado e resignado, não restava outra opção que não ir à dita mercearia (ou bicho papão por esta altura), sem máscara, sem luvas, tarefa essa que o papá insistiu em realizar.

A nossa família sempre se habitou a fazer as compras em grandes superfícies. Mas nesta altura essa opção não era a melhor, porque supostamente são os locais onde terão mais concentração de pessoas (apesar das restrições impostas por estas grandes superfícies). Então decidimos optar pelas chamadas lojinhas de bairro (algumas até com produtos das grandes superfícies). Na nossa aldeia temos algumas delas.

Na primeira ida correu tudo bem. O processo foi rápido. Muito rápido. Foi entrar, agarrar tudo o que estava na lista, ou quase tudo, porque ficou muita coisa para trás devido à pressa em que tudo foi feito.

Na segunda vez, soubemos que outra loja estava a pedir aos clientes que enviassem a lista de compras previamente, que depois os próprios funcionários recolhiam os produtos para todo o processo ser mais simples, rápido e prático. Tudo o que fizemos foi enviar a lista e ir lá buscar e pagar as compras.

Ao chegar a casa, todos os produtos foram desinfetados e arrumados. O Fera supervisionou de perto todo o procedimento e quis exemplificar como se fazia, embora sem sucesso porque foi impedido pela mamã.

Na compra da carne, outra das nossas grandes preocupações, descobrimos um talho que faz entregas a casa. Ligamos, fizemos a encomenda e depois foi só esperar pela entrega (que aconteceu no próprio dia). O funcionário chegou equipado com luvas e máscara. Foi simples e bastante seguro.

A vida tem destas coisas e dá muitas voltas. Chegamos a um ponto em que atividades que antigamente considerávamos absolutamente banais e corriqueiras se tornaram aterradoras para muita gente.

Fiquem em casa e mantenham-se saudáveis de corpo e mente.

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