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Teletrabalho vs. Fera

 

O papá está em teletrabalho. Isso significa ficar horas sentado à frente do computador, numa espécie de escritório improvisado na sala. O portátil colocado em cima da mesa de jantar, ligado a uma tomada ali ao pé e cadeira colocada entre a mesa e uma das paredes para evitar os incómodos do Fera, sempre curioso com tudo.

Teletrabalho não significa férias ou trabalhar menos (como é de opinião de certas pessoas). Por vezes é necessário começar mais cedo, acabar mais tarde ou até mesmo fazer alguma coisa ao fim de semana. O teletrabalho também tem outra desvantagem: não se consegue fazer a separação de onde acaba o trabalho e começa a vida particular. Muitas são as vezes em que o lazer e descanso é interrompido por motivos de trabalho (o vice-versa também acontece). A mamã como está em casa mais tempo sofre como ninguém deste mal porque para ela é sempre trabalho.

Bem, mas como equilibrar o teletrabalho com um puto que só quer atenção? Não é fácil. Por vezes os telefonemas são interrompidos por “pai”, “pai”, “pai”. E se não respondemos o “pai” vai continuar eternamente.

Por vezes o Fera vem brincar com os carros mesmo em cima do teclado ou do rato, mesmo com o papá a pedir para ele ir brincar para qualquer outro lado. Mas não, o malandro quer brincar mesmo ali. Como se aquele espaço reduzo fosse a melhor pista de carros do mundo.

Depois lembra-se que tem sede e vem pedir água (nestes casos tem que se andar atrás dele porque ele costuma encher a boca de água e cuspir tudo em qualquer lado). Depois lembra-se que quer bolacha e vem pedir isso. Depois lembra-se que quer ver umas pintas na parede no quarto dele (ele pensa que são moscas). Lá porque já viu essas pintas 500 vezes não quer dizer que não valha a pena ver mais umas quantas vezes.

A mamã tenta ajudar sempre, mas há alturas que não dá. Ela bem tenta desdobrar-se, mas não dá para tudo. O mano (ou dedi como é carinhosamente tratado pelo Fera) também faz o que pode.

Quando o papá se ausenta do seu posto de trabalho o Fera adora substitui-lo. Sobe na cadeira e começa a carregar em todos os botões do portátil. Assim que o papá regressa o traquina foge apressado a rir. Nessas alturas é esperar que nada se tenha estragado.

Definitivamente é difícil conciliar o teletrabalho com crianças pequenas sedentas de atenção. Mas são nestas situações que o trabalho desenvolvido pelos pais a tempo inteiro é salientado e todas as suas dificuldades são realçadas. Por isso é de extrema importância valorizarmos (e muito) quem opta por esta opção.

Fiquem em casa e mantenham-se saudáveis de corpo e mente.

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